Indicadores
CDI, Selic e IPCA: o que cada indicador significa na carteira
Atualizado em 14 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Selic, CDI e IPCA aparecem em quase toda recomendação de renda fixa, e são frequentemente tratados como sinônimos. Não são. Cada um responde a uma pergunta diferente da carteira: quanto o país paga por dinheiro, quanto os bancos pagam entre si e quanto o dinheiro perde de poder de compra.
Selic: a taxa de referência da política monetária
A Selic meta é definida pelo Copom a cada 45 dias e serve de âncora para todo o custo de crédito da economia. A Selic efetiva é a taxa média das operações compromissadas com títulos públicos, e fica muito próxima da meta.
Na carteira, a Selic aparece diretamente no Tesouro Selic (LFT), no rendimento da conta remunerada e como piso de referência para produtos de liquidez.
CDI: o indexador da renda fixa privada
O CDI é a taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos. Historicamente roda muito perto da Selic, alguns centésimos abaixo. É o indexador padrão de CDB, LCI, LCA, debêntures e fundos DI.
Quando um produto é oferecido como "110% do CDI", isso significa que ele paga 110% da variação diária acumulada do CDI no período, e não CDI mais 10 pontos percentuais. A confusão entre percentual do CDI e CDI mais spread é uma das principais fontes de expectativa frustrada.
- 100% do CDI: acompanha o indexador.
- CDI + 2%: paga o CDI acumulado mais 2% ao ano — bem mais que 102% do CDI.
- 90% do CDI em produto isento pode superar 110% do CDI tributado.
IPCA: o que protege o poder de compra
O IPCA mede a inflação oficial ao consumidor, calculado pelo IBGE. Títulos indexados ao IPCA — Tesouro IPCA+, CDB e debêntures atrelados — pagam a variação da inflação mais uma taxa real contratada.
Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria e educação dos filhos, a taxa que importa é a real. Um título IPCA+6% garante 6% acima da inflação, independentemente de a inflação ser 4% ou 9%. Já um CDB a 100% do CDI não oferece essa garantia: se a inflação subir mais que a Selic, o retorno real pode ficar próximo de zero.
| Objetivo | Indexador indicado | Motivo |
|---|---|---|
| Reserva de emergência | CDI / Selic | Liquidez diária e baixa oscilação |
| Meta de 2 a 4 anos | CDI ou prefixado | Prazo definido, previsibilidade |
| Aposentadoria | IPCA+ | Garante taxa real no longo prazo |
| Cenário de queda de juros | Prefixado / IPCA+ | Trava a taxa antes do ciclo |
Onde buscar os números oficiais
As três séries são públicas e acessíveis pelo SGS do Banco Central: Selic meta (série 432), CDI acumulado e IPCA (série 433). Usar o dado oficial, com a data da última atualização visível, muda a percepção do cliente sobre a recomendação.
No Assessor 360, as simulações carregam automaticamente as taxas correntes dessas séries, e cada resultado mostra a data de referência usada. É o mesmo princípio de um laudo: o número precisa ter fonte e data.
Perguntas frequentes
Por que o CDI fica abaixo da Selic?
Porque reflete operações entre bancos com garantia de títulos privados e prazo de um dia; a diferença histórica é de poucos centésimos de ponto.
110% do CDI é o mesmo que CDI + 10%?
Não. 110% do CDI multiplica a variação do indexador; CDI + 10% soma dez pontos ao ano e resulta em muito mais.
IPCA+ pode dar retorno negativo?
No vencimento, não em termos reais. Antes do vencimento, a marcação a mercado pode gerar prejuízo em caso de venda antecipada.